Minhas Amigas e Amigos, estamos já bastante perto desta data sempre especial, que é o Natal! Uma época em que as pessoas procuram ser mais solidárias e amigas e talvez influenciada por esta energia, também o Estranho neste ano decidiu fazer uma boa acção, colocando de lado a sua faceta de demónio de Ballur e decidindo-se a ajudar um simpático senhor de idade já avançada, na sua hercúlea tarefa anual!
Eis que fica aqui a história de mais este belo Conto de Natal:
Um Estranho Natal
Nicolau arrastou-se lentamente para fora da cama. Este era o dia mais importante de todos e era para este dia que ele se preparava todos os anos, de forma a que quando o trenó arrancasse no seu plácido voo, tudo estivesse no seu devido lugar, não faltando nenhum presente para todos aqueles que tinham praticado boas acções.
Infelizmente, apesar de todo o seu esforço, neste ano de 2011, tudo parecia estar a correr mal...mal não! Pessimamente! Primeiro fora a greve dos duendes, fartos de trabalharem em regime de recibos verdes e sem direito a subsídio de alimentação, eles pura e simplesmente deixaram de produzir, atrasando a produção de brinquedos em quase um mês! Após esse contratempo, resolvido depois de intensas negociações, foi a vez da fiscalização da Sociedade Protectora dos Animais, que devido a uma denúncia (maldosa e sem qualquer fundamento) veio fazer uma vistoria às 15 renas, bem alimentadas e tratadas, não tendo detectado qualquer irregularidade! (de certeza que foram os sacanas dos duendes! Malvados!).
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Agora, dia 24 de Dezembro, véspera do dia mais esperado pelas Crianças de todo o Mundo, o velho Nicolau sentia-se esgotado. Acordara não lá muito bem e a sua antiga artrose parecia hoje estar pior do que nunca! Ele nunca iria conseguir cumprir neste ano a tarefa que era o seu maior motivo de alegria. :(
Foi aí que ele chegou...assustador, com as suas garras afiadas e os seus caninos aguçados!
"Pronto", pensou o Pai Nicolau, "Era só o que faltava! Um demónio para dar cabo de mim! Fixe!" Mas não, essa figura imponente não era nada mais, nada menos do que Estranho, que após um ano inteiro de acções menos abonatórias, tentava aqui a sua derradeira oportunidade de ganhar o direito a algum presente no sapatinho!
Estranho: "Venho ajudar-te no que for necessário!"
Nicolau: "Ok...sabes cozinhar?"
Estranho: "Não"
Nicolau: "Sabes arrumar uma oficina de brinquedos?"
Estranho: "Não"
Nicolau: "OK então....e achas que consegues ajudar-me a entregar os presentes de Natal?"
Estranho: "Hmm...Sim"
Nicolau: "Fixe...vamos então a isso que já se faz tarde!"
Minutos depois já em pleno espaço aéreo, dentro do Trenó natalício...
Rudolfo: "Err...eh lá...mas quem é aquele gajo?? Tem mau aspecto!"
Duende: "É o Pai Natal..."
Rudolfo: "Ah...ok. E quem é aquele verde e de barbas vermelhas que está ao seu lado"
Duende: "Não sei, mas parece-me que está com muita fome!"
Rudolfo: "Será que ele come renas? Mesmo aquelas com o nariz vermelho e luminoso?"
Duende: "Possivelmente...e será que ele come duendes?"
Rudolfo: "Possivelmente sim..."
Mais lá à frente no trenó, Papai Noel (Nicolas para os amigos), sentia-se mais feliz do que nunca! Com o Estranho do seu lado, tinha agora a certeza de que tudo iria correr bem e que todos os presentes iriam ser entregues a tempo!
Nicolas: "Bem fixe! Thanks very much Estranho!"
Estranho: "Desculpa, mas não falo francês..."
Nicolas: "Olha, apesar da greve e da denúncia à Sociedade Protectora dos Animais, os duendes até que trabalharam bem! Especialmente esse que vai ali atrás com o Rudolfo...o malandreco!"
Estranho: "Fixe".
Nicolas: "Olha...fazes-me um favor? Como eu não posso, porque estou aqui a conduzir o trenó, dá por mim ao duende malandreco o presente que guardei para ele!" ;)
Estranho: "Fixe"
E virando-se para trás, com os seus dentes pontiagudos à mostra, o Estranho fazendo o seu melhor sorriso, dirigiu-se para o duende malandreco, com o presente na mão. O que aconteceu de seguida, nem o Estranho, nem o Nicolas nunca conseguirão compreender! O duende e a Rena deram um grito em uníssono (não um grito de felicidade, mas sim daqueles gritos histéricos e estridentes) e lançaram-se de seguida para o vazio, batendo os braços (no caso do Rudolfo as patas)...
Estranho: "Hmm...eles sabem voar?"
Nicolas: "A-Acho que não..."
Estranho: "Fixe..."
Nicolas: "Pois...mas agora não temos tempo para pensar nisso, temos uma imensidão de presentes para entregar!!"
Estranho: "E quem é o primeiro da lista?"
Nicolas: "É um tal de Geraldes Lino, temos aqui uma bela de uma fanzine para lhe entregar! De certeza de que ficará felicíssimo!"
Estranho: "Fixe...vamos lá a isso então!"
FIM!!
Errata: Detectamos depois de editado o conto que a palavra "fanzine" está representada de forma errónea como sendo uma palavra feminina, enquanto que na verdade é uma palavra do género masculino. As nossas desculpas por qualquer transtorno causado...
Nota: Se por algum acaso, algum de vocês não receber neste Natal o presente mais esperado, queiram desculpar, pois o Pai Nicolau já está um bocado senil e o Estranho é muito inexperiente nestas andanças da entrega de presentes!
Um Grande Abraço para todos, Votos de um Natal muito feliz e de excelente Ano Novo de 2012! ;)

8 comentários:
Fizeste-me sorrir com este teu estranho conto de Natal, com erratas e tudo. É um excelente complemento à belíssima ilustração que elaboraste. E, já agora, que seja também um bom Natal para ti e os teus. Grande abraço.
Viva João!
Fico deveras contente em saber que fiz-te sorrir com este singelo e bonito conto natalício, pois isso deixa-me sem dúvida com um bom sentimento de retribuição por todos os momentos divertidos que nos tens oferecido com as tuas tiras semanais do Fred! ;)
Um Grande Abraço e reforçados votos de um magnífico Natal para ti e para os teus! :)
Paulo
Eu tenho um conto de natal muito mais interessante. Aliás, tenho dois. Um está no blog d'Os Escudos da Lusitânia e no site do Grupo Entropia e chama-se O Poder da Magia Invernal. Outro...bem, outro é sobre a vez em que o Nicolau ficou com o trenó avariado, ali para os lados das roullotes da Noruega e...talvez volte a publicar esse conto este ano.
Realmente é um belo conto o que tens publicado no site Entropia, bastante bem escrito e num registo épico tão próprio de "Os Escudos da Lusitânia"! Agora deixaste-me sim curioso em conhecer esse conto do Sr. Nicolas com o trenó avariado, pois parece, pela tua descrição, ser um conto baseado no sentido de humor e gosto sempre bastante de contos que nos fazem sorrir! ;)
Um Grande Abraço e votos de um Abençoado e Feliz Natal!
Paulo
Um feliz e estranho natal :)!
Muito Obrigado Rui e Votos para que tenhas também um muito Feliz e "Estranho" Natal e de um Ano de 2012 cheio de muita criatividade,sucesso e projectos concretizados!
Um Grande Abraço!
Paulo
Paulo Marques
Já tenho sido personagem de banda desenhada, faltava-me ainda entrar num conto de Natal...
Não percebi o motivo porque nomeias de várias formas a tal figura imaginária de barbas e fato vermelho - "Nicolas", "o Velho Nicolau", "o Pai Nicolau", "Papai Noel" (até este brasileirismo desnecessário), e nunca o português usual "Pai Natal".
Quanto ao resto, o conto está com alguma piada no que se refere à localização temporal em que são focados problemas actuais, como sejam, por exemplo, os recibos verdes...
Fiquei siderado foi com o facto de até o Pai Natal já cair também nesse famigerado erro linguístico que é o de dizer "uma fanzine"...
Foi óptimo teres corrigido a bojarda com uma pertinente errata.
Mas já que estás em boas relações com o Nicolau, diz-lhe que até agora ainda não recebi o tal fanzine.
Abraço.
GL
Olá Lino! :)
É bem verdade de que para além de seres muitas vezes uma personagem de Banda Desenhada, colocada nas mais variadas situações,
também juntas agora a esse vasto "currículo", a participação num singelo conto de Natal!
Entendo essa tua questão do porquê não ter utilizado a popular expressão utilizada em Portugal, "Pai Natal" e o que posso
dizer em relação a ela, é que este conto foi escrito e estruturado à medida que o ia escrevendo, sendo que mesmo eu não fazia
ideia de qual iria ser o seu desenvolvimento e desfecho, limitando-me a deixar a escrita fluir de um modo livre e espontâneo,
pelo que apenas posso considerar que essa não utilização do termo "Pai Natal" deveu-se a uma vontade do meu subconsciente de
não utilizar o nome mais amplamente utilizado para identificar esse senhor de barbas brancas e ar bonacheirão, talvez para
tornar este conto mais personalizado e informal e menos seguidor dos clássicos contos natalícios.
Imperdoável e siderado fiquei também eu ao descobrir que o ilustre Pai Natal também comete esse famigerado erro de trocar o
género da palavra "fanzine", tanto mais que sendo ele uma figura que goza de uma grande prestígio entre os mais jovens, essa
sua ignorância poderia infelizmente contribuir para a difusão deste erro tão frequente!
Felizmente que tendo reparado posteriormente nisso, tive o cuidado de introduzir a tal "errata", procurando amenizar com isso esse
lapso ! ;)
Fico também bastante chateado por saber que acabaste por não receber o fanzine que te era destinado, mas infelizmente essa equipa composta pelo Pai Nicolau e Sr. Estranho, acabou por não corresponder à expectativas, pois foram inúmeras as queixas de presentes não recebidos ou trocados! Até eu, que tenho a certeza de que iria receber como presente de Natal um belo Ipad, acabei por receber ao invés disso um par de meias e umas luvas quentinhas, presentes os quais tenho a certeza de que seriam destinados a outra pessoa! Mas enfim...meias e luvas são sempre bons presentes que nos ajudam a passar um Inverno mais aconchegante!
Um Grande Abraço!
Paulo
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